O que é a Haftará?
Haftará é o trecho dos Neviim, os livros dos Profetas, lido na sinagoga depois da leitura da Torá no Shabat, nas festas e em dias de jejum. A palavra vem da raiz que significa “concluir”: a Haftará encerra a leitura.
Como a Haftará se liga à parashá
Cada parashá tem a sua Haftará, escolhida pelos sábios por um vínculo com o tema da porção da Torá: um episódio paralelo, uma palavra-chave, uma promessa que ecoa. Na parashá Vayerá, por exemplo, a hospitalidade de Avraham e o anúncio de um filho encontram eco em Elishá e na mulher de Shunem (Melakhim II 4).
Quem lê a Haftará é o maftir, chamado à Torá para repetir os últimos versículos da parashá. Ele recita bênçãos antes e depois, entre elas a que agradece a D'us por ter escolhido “profetas bons” e as palavras deles, ditas em verdade.
Haftarot especiais do ano
Em algumas épocas, a Haftará segue o calendário em vez da parashá. Nas três semanas que antecedem Tishá BeAv leem-se as três Haftarot de advertência, e nas sete semanas seguintes as sete Haftarot de consolo, que começam com “Nachamu, nachamu ami”, de Yeshayahu. No Shabat entre Rosh Hashaná e Yom Kipur lê-se “Shuvá Israel”, de Hoshêa.
Também há Shabatot especiais, como Shekalim, Zachor, Pará, Hachodesh e Rosh Chodesh, com Haftarot próprias. Em vários casos os costumes asquenazi e sefaradi leem trechos diferentes ou de extensão diferente.
Por que ler os Profetas
Uma explicação tradicional, citada por Abudarham, conta que a Haftará nasceu quando um decreto proibiu a leitura pública da Torá: os sábios passaram a ler trechos dos Profetas ligados ao tema da parashá, e o costume permaneceu depois que o decreto caiu.
Seja qual for a origem, a Haftará mostra a Torá viva na história de Israel: o que a parashá ensina, os profetas retomam diante do povo, em outra geração.